Gilmar França

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sábado, 17 de outubro de 2009

O LEGADO DE CHE GUEVARA - BRASIL DE FATO

por Michelle Amaral da Silva última modificação 08/10/2009 14:59Colaboradores: João Pedro Stedile Analisando sua obra falada, escrita e vivida, podemos identificar um profundo humanismo.

O ser humano era o centro de todas as suas preocupações08/10/2009João Pedro StedileEm 8 de Outubro cumpre-se o aniversário do assassinato de Che Guevara pelo exército boliviano. Após sua prisão, em 8 de outubro de 1967, foi executado friamente, por ordens da CIA.

Seria ''muito perigoso'' mantê-lo vivo, pois poderia gerar ainda mais revoltas populares em todo o continente.Decididamente, a contribuição de Che, por suas ideias e exemplo, não se resumia teses de estratégias militares ou de tomada de poder político. Nem devemosvê-lo como um super-homem que defendia todos os injustiçados e tampouco exorcizá -lo, reduzindo-o a um mito

.Analisando sua obra falada, escrita e vivida, podemos identificar em toda a trajetória um profundo humanismo. O ser humano era o centro de todas as suas preocupações. Isso pode-se ver no jovem Che, retratado de forma brilhante por Walter Salles no filme Diários de Motocicleta, até seus últimos dias nas montanhas da Bolívia, com o cuidado que tinha com seus companheiros de guerrilha.

A indignação contra qualquer injustiça social, em qualquer parte do mundo,escreveu ele a uma parente distante, seria o que mais o motivava a lutar. Espírito de sacrifício, não medindo esforços em quaisquer circunstâncias, não se resumiu às ações militares, mas também e sobretudo no exemplo prático. Mesmo como ministro de Estado, dirigente da Revolução Cubana, fazia trabalho solidário na construção de moradias populares, no corte da cana, como um cidadão comum.Che praticou como ninguém a máxima de ser o primeiro no trabalho e o último no lazer.

Defendia com suas teses e prática o princípio de que os problemas do povo somente se resolveriam se todo o povo se envolvesse, com trabalho e dedicação. Ou seja, uma revolução social se caracterizava fundamentalmente pelo fato de o povo assumir seu próprio destino, participar de todas as decisões políticas da sociedade.Sempre defendeu a integração completa dos dirigentes com a população. Evitando populismos demagógicos. E assim mesclava a força das massas organizadas com o papel dos dirigentes, dos militantes, praticando aquilo que Gramsci já havia discorrido como a função do intelectual orgânico coletivo.

Teve uma vida simples e despojada. Nunca se apegou a bens materiais. Denunciava o fetiche do consumismo, defendia com ardor a necessidade de elevar permanentemente o nível de conhecimento e de cultura de todo o povo. Por isso,Cuba foi o primeiro país a eliminar o analfabetismo e, na América Latina, a alcançar maior índice de ensino superior. O conhecimento e a cultura eram para ele os principais valores e bens a serem cultivados. Daí também, dentro do processo revolucioná rio cubano, era quem mais ajudava a organizar a formação demilitantes e quadros.

Uma formação não apenas baseada em cursinhos de teoria clássica, mas mesclando sempre a teoria com a necessária prática cotidiana. Acreditar no Che, reverenciar o Che hoje é acima de tudo cultivar esses valores da prática revolucionária que ele nos deixou como legado.A burguesia queria matar o Che. Levou seu corpo, mas imortalizou seu exemplo.Che vive! Viva o Che!

João Pedro Stedile é membro da coordenação nacional do MST e da Via Campesina.

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