Gilmar França

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

OITO A CADA 300 GESTANDES DO HU JÁ USARAM ALGUMA DROGA ÍLICITA

Consumo afeta não só o organismo, mas relações familiares.

Canoas - Efeitos devastadores, que começam nas vias aéreas e seguem em direção ao cérebro, destruindo não só o organismo como também a vida profissional e a estrutura familiar de quem usa. Estas são apenas algumas das consequências do crack.

O vício, no entanto, é ainda mais destruidor com as mães e as gestantes. Segundo dados do plano Crack, é possível vencer, lançado pelo Governo Federal em dezembro, os efeitos da droga durante a gestação podem ir desde a má nutrição até a ausência de cuidados pré-natais, uso de outras substâncias tóxicas e maior exposição a infecções e doenças.

E é na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Universitário da Ulbra que o problema tem chamado a atenção de profissionais da saúde. Para o especialista em Neonatalogia e coordenador da UTI Neonatal, Paulo Nader, dos 300 partos mensais realizados na instituição, em pelo menos oito as gestantes tiveram uso de alguma droga ilícita. “Muitos bebês nascem com síndrome de abstinência e apresentam sintomas como irritação, choro excessivo, tremores, sudorese e alteração de reflexos”, aponta.


Usuárias são arredias e agressivas

Na avaliação da especialista em Saúde Mental Coletiva Keli Cristina Lautert,a maternidade é, muitas vezes, aliada na recuperação das usuárias de crack. No entanto, em sua experiência de uma década em Centros de Apoio Psicossocial (Caps), Keli afirma que a família e, mesmo os profissionais da saúde, buscam sempre atender a criança, deixando de lado a mãe. “Elas são arredias, sofrem preconceitos até em atendimentos, não fazem prénatal, ficam agressivas e têm crises paranóicas, dificultando a ajuda médica.”

Dificuldades no diagnóstico

As mudanças no comportamento dos recém-nascidos, filhos de usuárias de crack nem sempre são identificados imediatamente pelas equipes de saúde. ‘‘Muitas vezes os sintomas são confusos e é necessário, antes do diagnóstico de síndrome de abstinência, afastar a hipótese de a causa ser por alterações de glicose ou infecções, por exemplo’’, explica o médico Paulo Nader. Segundo o neonatalogista, as usuárias não costumam procurar ajuda médica durante a gestação e “nem sempre assumem para os profissionais que são dependentes químicas”. Nader afirma que isto torna o diagnóstico dos bebês ainda mais difícil.

Depressão e parada cardíaca

Além de problemas apresentados já no pós-parto, o coordenador da UTI Neonatal do HU Paulo Nader diz que quando a mãe está em um estágio muito avançado da dependência química, é comum o recém-nascido apresentar também sintomas de depressão. Isso, é claro, sem contar o alto risco de parada cardiorrespiratória. “Temos inúmeros casos em que precisamos fazer procedimentos de reanimação nos bebês.”

Problemas a longo prazo

Outro agravante provocado pelo uso de substâncias tóxicas durante a gravidez, segundo o médico, são as dificuldades de aprendizagem, que começam a aparecer um pouco mais tarde. “Quando realizamos os exames de rotina, logo após o nascimento, os bebês não costumam apresentar má- formação ou problemas neurológicos graves em consequência da droga. Estudos recentes apontam que, mais tarde, estes pequenos têm deficiência no aprendizado e podem vir a sentir mais desejo de experimentar a droga que outras pessoas.

Fonte: Diario de Noticias

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